E-commerce: envio direto para o Brasil de outro país

Você é um e-commerce interessado no mercado brasileiro? Vamos analisar para você o tema do envio direto ao consumidor final, muito utilizado pelos dropshippers.

Enviar seus produtos para seus clientes finais do exterior é certamente a solução mais fácil à primeira vista e definitivamente uma boa maneira de testar o mercado com custos e riscos menores. No entanto, você deve estar ciente de alguns desafios que o aguardam e podem impactar a imagem da sua marca a longo prazo.

Confira abaixo os detalhes do envio direto do e-commerce para consumidores brasileiros do exterior:

Qual é o processo de desembaraço adaptado ao envio direto e os impostos a pagar?

É preciso distinguir que existem dois processos de importação no Brasil:

B2B onde as mercadorias são exportadas para o Importador de Registro que revenderá as mercadorias localmente. Este é o processo formal de entrada onde a tributação incluirá o Imposto de Importação e os impostos locais comuns (IPI, PIS, COFINS, ICMS). No caso de envio direto ao consumidor, esse processo formal de entrada não é possível.

B2C onde a mercadoria é exportada para o consumidor final como é no modelo de frete direto. Este é o processo de entrada informal onde a tributação será específica dependendo da empresa transportadora conforme segue:

via correios: 60% sobre o valor CIF (valor do produto + frete internacional)

via empresas privadas de courier (Fedex, DHL, UPS): 95,6% sobre o valor CIF (valor do produto + frete internacional).

A diferença entre os correios e as empresas privadas de courier é o acréscimo de um imposto: o ICMS. Este é um imposto que depende de cada estado brasileiro, mas pode-se considerar uma média de 18%.

Mas espere, 60% + 18% = 78%; então por que dissemos que a porcentagem era de 95,6%?!

Isso se deve à forma como as autoridades brasileiras calculam o imposto, incluindo o próprio imposto na base de cálculo. 95,6% é o valor efetivo sobre o valor CIF a ser pago para desembaraço da mercadoria: (CIF + Imposto de Importação)/ 100%-18%] x 18% totalizando 95,6% sobre CIF.

Apenas uma exceção: livros, jornais e revistas são isentos de impostos.

Quem é o responsável pela arrecadação dos impostos?

É legalmente proibido enviar mercadorias para o Brasil sob o esquema Incoterm DDP com imposto de entrega pago pelo vendedor internacional. Portanto, os comerciantes internacionais não podem informar o preço final aos seus clientes. Apenas uma estimativa.

Os direitos de importação terão de ser pagos diretamente pelo consumidor brasileiro ou entidade terceira com representação legal no Brasil.

Há isenção de valor mínimo para a aplicação do imposto?

Por lei, apenas produtos enviados entre duas pessoas físicas, sem fins comerciais, abaixo do valor CIF USD 50 não são tributados.

A verdade é que na prática vendedores internacionais com produtos abaixo do valor CIF USD 50 muitas vezes fogem do controle da alfândega e conseguem entregar suas mercadorias sem taxação. No entanto, alguns de seus produtos serão parados pela alfândega e o pagamento será solicitado a seus clientes.

Quanto tempo levará para entregar?

Em torno de 2 a 3 semanas.

De fato, a liberação do aeroporto levará mais ou menos 10 a 20 dias após a chegada das mercadorias, a maioria delas na Alfândega e Correios do Brasil em Curitiba (estado do Paraná) onde está sediado o maior centro de distribuição para e-commerce embalagens – que recebe cerca de 300.000 embalagens diariamente.

Se os produtos forem controlados e os impostos forem cobrados dos clientes, esse tempo pode ser maior. Não é raro chegar a 40 dias úteis para liberar a mercadoria. De fato, a comunicação entre a Alfândega e os Correios Brasileiros e os consumidores finais não é realmente eficaz, de modo que os consumidores finais não estão cientes de que devem pagar os impostos de importação em seus pacotes.

Aliás, consumidores e até comerciantes podem ter a impressão de que a compra foi extraviada ou retida pela Alfândega do Brasil por questões legais, quando, na verdade, o processo de entrega é demorado apenas por causa do extenso e burocrático sistema e falta de mão de obra.

Mesmo assim, existem alguns motivos pelos quais a compra pode ser mantida por tempo indeterminado. Se o pacote chegar com informações de endereço incompletas ou a etiqueta tiver baixa qualidade de impressão, o pacote não será entregue. De acordo com os Correios, o serviço postal nacional do Brasil, isso representa mais de R$ 1 bilhão de perdas anualmente. Além disso, a legislação local também pode impedir a entrada de determinados tipos de produtos. Produtos farmacêuticos, alimentos e suplementos, telecomunicações e produtos LED, entre outros, precisam de licenças especiais para serem importados.

Como processar o pagamento?

Fazer uma venda internacional para o Brasil significa que os comerciantes internacionais cobrarão de seus clientes em reais (BRL) e receberão o pagamento em dólares americanos ou euros.

A escolha dos meios de pagamento corretos é muito importante, pois os brasileiros estão acostumados a métodos de pagamento muito específicos como Boleto Bancário, PIX, Parcelamento; e não oferecê-lo afetará fortemente sua conversa de vendas.

Isso é ainda mais importante porque muitos brasileiros não têm cartão de crédito e só podem pagar por esses meios de pagamento locais.

Certifique-se de que seus gateways de pagamento transfronteiriços ofereçam esses métodos de pagamento.

Desafios para vender usando frete direto para o Brasil

Com base nos fatos mencionados acima, os principais desafios para enviar diretamente para o Brasil são os seguintes:

1. O frete internacional não otimizado pode torná-lo não competitivo:

Como o frete internacional individual é muito mais caro do que o frete a granel e infelizmente os impostos no Brasil são calculados na base CIF, ou seja, no valor do produto + frete internacional, um frete internacional alto pode aumentar muito a carga tributária e impactar sua competitividade .

2. Sem transparência de preços:

Comerciantes internacionais não poderão informar o preço final total para seus clientes, pois não podem incluir os impostos. Os clientes podem entender mal o preço real a ser pago pela compra

3. A cobrança dos impostos, uma má experiência de compra para os clientes:

Conforme mencionado anteriormente, seu cliente será responsável pelos impostos, seja 60% ou 95,6% dependendo do correio. Além dos custos que são uma péssima surpresa, os lojistas internacionais devem contar com a burocracia extra que isso envolve para seus clientes.

4. Processo de pagamento:

Existem apenas alguns gateways de pagamento que oferecem soluções transfronteiriças eficazes e, sem eles, a conversão de vendas pode ser muito baixa.

5. Tempo de entrega:

Conforme mencionado anteriormente, ao chegar no aeroporto do Brasil, os produtos terão que esperar semanas antes de serem tratados pela Receita Federal do Brasil. Pode gerar frustração com o cliente achando que seu produto foi extraviado, levando ao cancelamento da compra.

6. Rastreamento:

Além da longa espera na alfândega, não há rastreamento do produto, deixando você cego quanto ao andamento do desembaraço.

7. Sem possibilidade de troca e devolução dos produtos

Por lei, os clientes brasileiros têm 7 dias após o recebimento das mercadorias compradas online para trocá-las ou devolvê-las.

No caso de um comerciante internacional sem entidade local, seria muito complexo fazer tal operação e os impostos pagos no desembaraço não seriam recuperáveis.

Por outro lado, os marketplaces e gateways de pagamento sempre se colocarão do lado dos clientes e procederão ao reembolso a cargo do vendedor.

E não é possível redirecionar um produto para outro consumidor depois de postado. Os custos de reexportação nunca são suportados pelo serviço postal e correio privado, portanto, a cargo do Vendedor.

O subfaturamento é cada vez mais monitorado

Muitos vendedores transfronteiriços costumavam subfaturar seus embarques para o Brasil e/ou excluir o custo do frete para chegar a um valor CIF < USD 50.

No entanto, as alfândegas brasileiras decidiram remediar isso e estão se equipando rapidamente.

É muito mais difícil escapar pelas rachaduras hoje. Não é mais incomum ver 50% de seus produtos descontinuados.

Além disso, quando a fraude é detectada, o valor do produto é definido de acordo com tabelas tarifárias de referência, o que muitas vezes leva a alfândega a superestimar o preço dos produtos e, portanto, a pagar mais impostos.

O que você precisa considerar para sua marca antes de iniciar o envio direto para o Brasil?

A remessa direta para o Brasil pode permitir aos comerciantes internacionais uma rápida expansão que pode se voltar rapidamente contra a imagem de sua marca e pesar em suas finanças.

Com efeito, longo prazo de entrega, sem visibilidade de onde está o produto, pagamento de valor adicional para liberar os produtos da alfândega, sem suporte local ao cliente e pós-venda; a receita para uma má experiência de compra. Os brasileiros são muito ativos nas redes sociais e em sites de reclamações de consumidores, como o Reclame Aqui. Sua marca pode receber rapidamente críticas negativas que podem prejudicar sua reputação por um longo tempo.

Além disso, uma alta taxa de estorno afetará diretamente as finanças dos vendedores e pode rapidamente transformar a transação em negativa.

Quem escolherá implementar uma estratégia de remessa direta?

Provavelmente vendedor com produtos abaixo de USD 50 de valor CIF (Valor do produto + frete internacional) que tem maior chance de escapar do controle alfandegário.

Portanto, empresas que buscam volume de produtos de baixo custo prontos para assumir longos prazos de entrega, riscos de reputação da marca, alta taxa de reembolso e estorno e falta de opção de troca-devolução, encontrarão no frete direto uma boa solução para expandir em Brasil.

E principalmente os interessados ​​em distribuir seus produtos em marketplaces como Mercado Livre, Americanas, Amazon que estão desenvolvendo fortemente suas soluções cross border.

As empresas que desejam proteger a reputação de sua marca e encontrar uma solução que atenda às necessidades de seus clientes, buscarão outra solução com presença local no país.

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